Prémio Ibérico de Arquitectura Tradicional
Rafael Manzano
 

O galardão é atribuído anualmente e foi entregue pela primeira vez, em 2012 por Sua Alteza Real Dona Elena de Espanha, ao arquitecto Leopoldo Gil Cornet. Em 2017 distinguiu a obra do arquitecto português José Baganha.

A Fundação Serra Henriques implementou em Portugal o Prémio Ibérico de Arquitectura Tradicional com o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa

O Prémio é entendido como uma oportunidade de valorização das singularidades culturais do nosso território, e para esta realização, a Fundação Serra Henriques mereceu o reconhecimento de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Prémio Rafael Manzano é organizado pela INTBAU (Rede Internacional para a Arquitectura Tradicional), criada e patrocinada por Sua Alteza Real o Príncipe de Gales. Com o valor monetário de 50.000 euros, este prémio pretende distinguir a obra daqueles que mais contribuem para a reabilitação de edifícios e de conjuntos urbanos de valor histórico e artístico ou construção nova com a utilização de materiais e ofícios tradicionais. A atribuição do Prémio deve-se a generosidade da Fundação Richard H. Driehaus e à colaboração da Real Academia de Belas Artes de Madrid, Casa da Arquitectura, Conselho Superior de Arquitectos de Espanha e Colégio do Património Arquitectónico da Ordem dos Arquitectos de Portugal.


Cerimónias do Prémio Rafael Manzano

JOSÉ BAGANHA

Prémio Rafael Manzano 2017

FILME DE APRESENTAÇÃO DA OBRA DE JOSÉ BAGANHA

O sexto Prémio Rafael Manzano, que em 2017 foi ampliado para incluir o trabalho realizado em Portugal, foi concedido ao arquitecto português José Baganha. A sua trajectória profissional mostra uma firme vontade de preservar e dar continuidade às tradições arquitectónicas das regiões em que trabalhou, bem como actualizá-las, procurando sempre adaptá-las às exigências do nosso tempo. Todo o seu trabalho é um modelo de atenção e respeito pelo contexto, quer este seja mais urbano e clássico ou mais rural e vernáculo. Neste sentido, devem ser destacados os seus estudos sobre a arquitectura tradicional do Alentejo que serviram de base a muitos dos seus projectos construídos nesta região, tão contemporâneos como respeitadores da identidade e cultura locais.


BIOGRAFIA

José Baganha nasceu em Coimbra em 1960. Estudou Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e na Universidade Técnica de Lisboa e é doutorado pela Universidade do País Basco. Em 1991, fundou o seu próprio atelier, trabalhando desde então em projectos residenciais, hoteleiros, comerciais, de equipamentos e urbanos, nos quais sobressai o especial cuidado pela adaptação ao contexto, o respeito pelas construções preexistentes e o desejo de humanizar e valorizar os lugares em que aqueles estão localizados. Foi professor nas Faculdades de Arquitectura de Viseu e de Sintra da Universidade Católica Portuguesa e professor convidado em diversas universidades europeias. Fundou a INTBAU Portugal, co-fundou o Council for European Urbanism e é membro da direcção do Colégio de Património Arquitectónico da Ordem dos Arquitectos. Além do Prémio Rafael Manzano 2017, as qualidades mencionadas do seu trabalho renderam-lhe outros prémios internacionais, como o Prix Européen para a Reconstrução da Cidade 2011 da Fundação Philippe Rotthier.

Entre as suas primeiras obras estão a Casa nas Sesmarias (Salvaterra de Magos, 1992), a meio caminho entre os palácios e as casas de campo do Ribatejo; a Casa da Quinta da Pedra Taboleira (Viseu, 1999), projectada para seu pai num terreno rodeado de vinhas, enfrentando o difícil desafio de reconfigurar e valorizar um edifício pré-existente inacabado e mal construído; e o edifício da farmácia Grincho (Parede), construindo um volume que completa a composição do prédio a que está adossado.


O desejo de realizar os seus projectos a partir da base do lugar, com sua paisagem, sua memória e sua identidade, incorporando nos mesmos as construções precedentes, desenvolvendo com estas ou destas, transformando e enriquecendo-as, é uma constante em todo o seu trabalho. Este mesmo método de respeito pelo precedente, para redesenhar o local sem transformações traumáticas, em continuidade com este, pode ser apreciado até mesmo nas suas obras de maior escala e de carácter mais urbano, como a Casa do Médico de S. Rafael (Sines, 2005-2006), um edifício concebido ao mesmo tempo como residência para médicos retirados e como espaço para eventos organizados pela Ordem dos Médicos de Portugal, no qual evitou o desaparecimento de um antigo edifício do século XVIII condenado a ser demolido, reconstruindo-o e transformando-o no coração do novo conjunto, ligado através de uma passagem elevada com um novo corpo no qual dispôs a residência propriamente dita. Uma operação deste tipo pode ser vista no condomínio residencial designado "Das Janelas Verdes" (Lisboa, 2005-2006), no qual tratou o conjunto a edificar não como um único bloco, mas como uma sequência de edifícios contíguos, cada um com o seu próprio carácter, que usa para passar da escala mais urbana e da linguagem mais clássica da rua principal para a qual o quarteirão é aberto para a dimensão mais doméstica do bairro em que se integra e do qual adoptou a linguagem e as soluções construtivas usadas. Integrou a fachada principal do único edifício pré-existente no local (embora muito arruinado) e, tendo que ampliá-lo em altura, optou por fazê-lo com um piso amansardado que se integra na escala e composição originais.

É, em todo caso, na continuação das tradições vernáculas da região do Alentejo que a maestria de José Baganha se destaca de forma mais proeminente. Tal é evidenciado pelo conjunto de montes alentejanos projectados nos últimos anos, como o Monte do Carujo (Alvito, 2001), Monte da Herdade do Rego (Vila Boim, 2003), Monte da Quinta (Terena, 2007-2009) e Monte do Prates (Montemor-o-Novo, 2007-2009), ou o restaurante que está actualmente em construção em Terena.

O seu estudo contínuo e exaustivo dos vários aspectos da tradição arquitectónica da região, bem como as suas nuances dentro deste vasto território: a sua estrutura urbana e paisagística, suas formas clássicas e vernáculas, as suas origens, evolução e consolidação, sua relação com o meio ambiente, artesanato, sistemas de construção e materiais locais ou diferentes tipos de construção.


A nova Arquitectura Tradicional

Em pleno séc. XXI, a nova arquitectura tradicional pode ser a resposta às necessidades dos nossos centros urbanos e do território nacional que enfrenta sérios desafios, especialmente na utilização sustentável de recursos da região.  É um tipo de arquitectura que requer o uso de matérias primas, produtos e mão-de-obra locais, favorecendo a economia, a sustentabilidade e a conservação do património cultural.