Ano Europeu do Património Cultural 2018

No âmbito do Ano Europeu do Património Cultural, a Fundação Serra Henriques implementa e consolida um conjunto de iniciativas interligadas pela valorização da arquitectura tradicional enquanto contributo para a economia, sociedade e desenvolvimento coeso do território nacional.

O prestígio conferido à diversidade regional do nosso país constitui um forte estímulo para a preservação dos valores patrimoniais e uma excelente oportunidade para o progresso social, cultural e económico de Portugal. As diversas regiões portuguesas possuem um património histórico, cultural e arquitectónico de inegável valor e crescente projecção internacional. É essa preocupação com a valorização e salvaguarda destes ricos e diversificados activos que deve, por isso, assumir uma relevância contínua no âmbito das políticas públicas ao nível central e local.

O trabalho desenvolvido pela Fundação Serra Henriques junto da academia, governo, autoridades locais, especialistas e instituições culturais é um processo constante e de estímulo a este desígnio nacional. Tal acontece em diversas iniciativas como a implementação da Política Nacional da Arquitectura e Paisagem (PNAP), os prémios de arquitectura, a realização de conferências e difusão de boas práticas ou a representação nacional da Associação de Cidades Europeias para a Cultura (LikeCulture.EU), onde a Fundação procura estimular a colaboração entre municípios, entidades culturais e instituições europeias para favorecer a cooperação transnacional.

Prémio Ibérico de Arquitectura Tradicional

A Fundação Serra Henriques implementou o Prémio de Arquitectura Tradicional Rafael Manzano em Portugal com a International Network for Traditional Architecture and Urbanism (INTBAU) da Fundação do Príncipe de Gales, com o apoio de Richard H. Driehaus Charitable Lead Trust  e com o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa.

Esta iniciativa é entendida como uma importante oportunidade de valorizar a identidade e as singularidades culturais do nosso território. Com o valor monetário de 50.000 euros, este galardão distingue a obra daqueles que mais contribuem para a reabilitação de monumentos e de conjuntos urbanos de valor histórico e artístico ou construção nova com a utilização de materiais, estilos e ofícios tradicionais. Em 2017, O júri internacional distinguiu a obra do arquitecto português José Baganha.

Rede Ibérica de Mestres da Construção Tradicional

No quadro do Ano Europeu do Património Cultural, a Fundação vai implementar em Portugal a Rede Ibérica de Mestres da Construção Tradicional em colaboração com a International Network for Traditional Architecture and Urbanism (INTBAU), o Colégio do Património Arquitectónico da Ordem dos Arquitectos, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), as Direcções Regionais da Cultura dos Açores e da Madeira e o Instituto do Património Cultural de Espanha (IPCE).

Partindo da experiência já realizada em Espanha, pretende-se criar um directório ibérico e pesquisa online das pessoas e entidades mais qualificadas nos diferentes ofícios de construção e restauro tradicionais; aqueles que são reconhecidos em cada região como os melhores em cada disciplina.

Este Directório será público e o objectivo é proporcionar visibilidade aos mestres de construção, que muitas vezes não têm possibilidade de divulgar e de transmitir essas diferentes técnicas e materiais que moldam a identidade de cada região.

As artes tradicionais nos ofícios de construção são o resultado da nossa cultura e do nosso território, um sinal de identidade que faz da construção de cada região um conhecimento único e insubstituível sobre o meio ambiente e como habitá-lo com respeito e de forma lucrativa a longo prazo. Além de ser um património cultural único e ameaçado, são artes necessárias para a preservação da nossa herança material.

A perda destas tradições é também uma ameaça para o património cultural em muitos outros países Europeus e, por isso, os objectivos e a metodologia desta iniciativa ibérica pretendem-se facilmente replicáveis.

Escola Internacional de Verão de Arquitectura Tradicional

A Escola de Verão 2018 da Rede Internacional de Arquitectura Tradicional (INTBAU) vai realizar-se, pela primeira vez, em Portugal. Marvão será o palco desta iniciativa que conta com a participação de oito universidades Europeias e Americanas.


(...) Devemos aproveitar a decisão da União Europeia de adotar 2018 como o Ano Europeu do Património Cultural. Não se trata apenas um gesto de boas intenções - mas da demonstração da importância das raízes históricas e culturais; da necessidade de proteger e salvaguardar o património comum; da importância transversal e estratégica das políticas públicas ligadas à Educação, à Formação e à Ciência, bem como do entendimento de que só a proteção do património cultural, no contexto de uma identidade aberta e plural, e a sua ligação à qualidade da criação contemporânea podem corresponder a uma visão integrada do desenvolvimento, capaz de preservar uma cultura de paz. (...)

Guilherme d'Oliveira Martins, coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural


Portugal, património e identidade