Traditional Architecture and Urbanism Summer School | Marvão 2018

Escola Internacional de Verão de Arquitectura Tradicional

A Fundação Serra Henriques é o parceiro institucional português da Escola de Verão 2018 organizado pela Rede Internacional de Arquitectura Tradicional (INTBAU), que se realizou pela primeira vez em Portugal. Marvão foi o palco desta iniciativa que conta com a participação de oito universidades europeias e americanas.

Para estimular a participação da Academia nacional e despertar o interesse das novas gerações, a Fundação criou oito bolsas de participação dirigidas a alunos das universidades Portuguesas. Em 2018 foram atribuídas às Universidade da Beira Interior (UBI), Coimbra, Évora, Gallaecia (ESG), ISCTE, Lisboa (FAUP), Porto (FAUP) e Trás-os-Montes (UTAD).

A iniciativa conta com o apoio de Richard H. Driehaus Charitable Lead Trust, do Prémio Rafael Manzano, da Câmara Municipal de Marvão e Infraestruturas de Portugal.

Na sequência desta intervenção foi feita a edição internacional de um livro de boas práticas para a valorização do património cultural e reabilitação urbana da freguesia da Beirã no concelho de Marvão.

Organized by:

The International Network for Traditional Building, Architecture and Urbanism
Founder & Patron: His Royal Highness The Prince of Wales
The Rafael Manzano Prize for New Traditional Architecture, extended to Portugal thanks to the Serra Henriques Foundation, with the High Patronage of His Excellency the President of the Portuguese Republic

Thanks to the support of:

Richard H. Driehaus Charitable Lead Trust
Fundação Serra Henriques
Fundación EKABA

With the collaboration of:

Câmara Municipal de Marvão
Infraestruturas de Portugal
Associação A Anta (Beirã)
Junta de Freguesia da Beirã

With the participation of:

Universidade de Évora
ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa
Escola Superior Gallaecia
Pontifical and Royal University of Santo Tomas
Judson University
University of Miami
University of Notre Dame
Universidad Alfonso X el Sabio
Universidad de Castilla-La Mancha
Universidad Politécnica de Madrid
Centro de Investigación de Arquitectura Tradicional

Marvão é uma vila de uma riqueza enorme, não só paisagística, mas também ao nível da arquitetura. É uma vila que ostenta influências das culturas islâmicas, judaicas e cristãs, e preserva edifícios e monumentos com séculos de história.

É uma enorme honra abrir as portas da nossa vila para receber esta Escuela de Verano, envolvendo os estudantes na beleza natural e arquitetónica de Marvão e nas tradições de uma vila milenar, carregada de elementos de cariz histórico e cultural. Pois todas estas influências convergem em harmonia entre a arquitetura mais antiga e o novo urbanismo.

Marvão fica no topo do mundo, erguendo-se do alto da serra de Sapoio de onde se vê tudo à sua volta, onde o castelo se eleva e alberga a vila fundada há mais de um milénio. As ruas tradicionais alentejanas mantêm vivas as inspirações das culturas que por Marvão passaram, a arquitetura medieval continua preservada e os vestígios de construções romanas existem em todo o território.

Luís Vitorino, Presidente da Câmara Municipal de Marvão 

No concelho de Marvão, cá em baixo, na encosta da serra, fica a aldeia da Beirã.

As origens da Beirã remontam ao ano de 1837, chamando-se apenas "sitio", uma vez que existiam aqui apenas 4 casinholas, que tinham por objetivo servir de abrigo temporário aos trabalhadores agrícolas.

No ano de 1878, a vida dos residentes sofre uma grande mudança, iniciavam-se as obras de construção de uma nova linha férrea (Ramal de Cáceres), novos horizontes se abriam e rapidamente o "sitio" chamado Beirã, passava de 4 casinholas para mais de 40 casas habitáveis, duas escolas , vários comércios, teatro e até uma sociedade de recreio familiar.

António Manuel Pereira Mimoso, Presidente da Junta de Freguesia de Beirã 

O desenvolvimento a partir do último terço do século XIX do Ramal de Cáceres e da ligação ferroviária Lisboa/Madrid, juntamente com a crescente importância no controlo fronteiriço entre os dois países, foram preponderantes na decisão de construir nos anos 20 do século XX o Edifício de Passageiros e o antigo Restaurante, inseridos na Estação Ferroviária de Marvão-Beirã.

Pela sua importância simbólica, por ser a última ou a primeira estação em Portugal para quem circulava nesse trajeto, e pela necessidade objetiva de conferir condições funcionais, em que fosse possível controlar o movimento de circulação e alfandegário e a permanência temporária no local, houve o cuidado de projetar os dois edifícios com grande dignidade arquitectónica e estética. Para isso, foram utilizados elementos construtivos e arquitetônicos tipificados na arquitetura de Raul Lino e em painéis azulejares assinados por Jorge Colaço.

A Estação de Marvão-Beirã foi ao longo de décadas o elemento gerador de todo um aglomerado urbano.

O encerramento à circulação em 2012 do Ramal de Cáceres, ao provocar o abandono funcional da Estação e do Restaurante, teve como consequência natural a perda de uma vivência urbana única.

António José da Silva Borges, Infraestruturas de Portugal

Introdução

Alejandro García Hermida

A Escola de Verão foi organizada uma vez mais por INTBAU e o Prémio Rafael Manzano de Nova Arquitectura Tradicional, e foi possível graças ao apoio do Richard H. Driehaus Charitable Lead Trust (através de um donativo da Chicago Community Foundation para o Richard H. Driehaus Charitable Fund), da Fundação Serra Henriques e de Kalam. Igualmente importante foi a colaboração da Câmara Municipal de Marvão, da Junta de Freguesia de Beirã, da Associação A Anta, também de Beirã, e de Infraestruturas de Portugal, todos eles com uma atenção e um envolvimento constantes. Também colaboraram um bom número de universidades portuguesas e estrangeiras, que levaram docentes, conferencistas e alunos: a Escola Superior Gallaecia, o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), a Universidade do Algarve e a Universidade de Évora (Portugal), a Pontifical and Royal University of Santo Tomas (Filipinas), as escolas de arquitectura da Judson University, da University of Miami e da University of Notre Dame (EEUU), da Universidad Alfonso X el Sabio, da Universidad de Castilla-La Mancha e da Universidad Politécnica de Madrid (España) e o Centro de Investigação de Arquitectura Tradicional (CIAT-UPM).

Os participantes, de diversas procedências, idades e perfis foram:

  • Mary-John Blevins, Deyglis Castillo, Laura Celeste Beltrán, Elizabeth Connaughton, Inti Carina Dohle, Luis García-Delgado Ripoll, Chesney Henry, Iria Ibáñez Vilar, Molly Jorden, Rachael Liberman, Saniya Malhotra, Margarida Alexandra Matos Bessa, Andrew Moneyheffer, Miguel Torres Monteiro Afonso, Pedro Paulo Palazzo, Llorenç Pons, Emilio Roldán Zamarrón, Nadia Samir, João Pedro Salvado, Julia Marie M. de Santos, Alexandra Scupin, Vikramaditya Singh Rathore, Natalie Stenger, Alexis Stypa, Alissa Tassopoulos, Mario Vides, Arnost Wallach e Vasco Wemans. As nacionalidades representadas neste grupo mostram essa grande diversidade: Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Guatemala, India, México, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Venezuela.

Muitos deles eram estudantes de arquitetura nas universidades colaboradoras, mas outros vieram de outras escolas em diferentes países. Havia também jovens profissionais e professores entre eles, que trouxeram sua própria experiência para a equipe.

CATÁLOGO DE AMOSTRAS CONSTRUTIVAS REGIONAIS

Ruth M. Equipaje, Alejandro García Hermida, Rebeca Gómez-Gordo Villa, Alissa Tassopoulos

Focados na construção de uma base de conhecimentos, consideramo-la um passo essencial para o estudo e análise dos exemplos locais neste tipo de programas educativos, seja no sentido de, por um lado, guiar o nosso próprio trabalho de projecto ou igualmente, por outro, compilar informação que pudesse ser útil para qualquer indivíduo interessado neste campo ou que tivesse objectivos semelhantes aos nossos.
Este modo de proceder, utilizado em todas as nossas anteriores escolas de verão, é certamente inspirado pelos trabalhos de muitos arquitectos, que compreenderam a necessidade de pesquisa e aceitação da cultura do local antes da adição de novos elementos, procurando entender os ingredientes locais disponíveis antes de tentar utilizá-los para cozinhar os seus próprios pratos. Em Espanha, o primeiro estudo deste tipo foi o desenvolvido por Leonardo Rucabado relativamente à arquitectura da região de La Montaña, a actual Cantábria. Terminado o curso de Arquitectura, em Barcelona, quando quis iniciar a prática profissional em nome próprio na sua zona de origem, sentiu-se impelido a explorar, pesquisar e assimilar os códigos arquitecturais da região no sentido de eficazmente integrar os seus projectos na sua envolvente.

Masterplan da Beirã

José Baganha, Douglas Duany, Ruth M. Equipaje, Rui Florentino, Alejandro García Hermida, Rebeca Gómez-Gordo Villa, Frank Martínez, Christopher Miller


Com base em todos os anteriormente realizados estudos relativamente à construção, à arquitectura e ao urbanismo do Alentejo, começámos a abordar os já referenciados desafios que as Infra-estruturas de Portugal, o Município de Marvão e a Freguesia da Beirã nos propuseram. 
Conforme anteriormente indicado, dividimos a povoação em cinco áreas distintas no sentido de mais detalhadamente trabalhar com diferentes grupos em cada uma delas: Centro, Mercado, Ribeira, Bairro Alto e Arrabalde. O Centro é a antiga área central da povoação, ainda palco dos espaços urbanos mais definidos espacialmente mas presentemente com uma conexão infrutífera com a adjacente área ferroviária. A área do nosso Mercado foi o antigo pólo em torno da estação ferroviária e das suas principais infra-estruturas, pretendendo, com o seu nome, evidenciar o facto de que a sua principal função era e poderá voltar a ser - em novas forma e intenção - comercial. O Bairro Alto é formado pelas ruas que sobem pela parte norte da zona antiga da povoação, presentemente encimadas pelo lavadouro público. A Ribeira é a área que neste momento separa a zona antiga da povoação e as instalações da ferrovia das extensões mais recentes do povoado, e é em parte ocupada por pomares que deverão manter-se nesta vantajosa localização. Ainda assim, neste local, é necessária construção de consolidação no sentido de gerar um tecido urbano consistente. Para finalizar, o Arrabalde é a zona mais recente da Beirã, desenvolvida ao longo da estrada que vai para Santo António das Areias e Marvão, e com necessidades de re-conexão com o resto do povoado.

Proposta para o Centro

Proposta para a área do Mercado

Proposta para a área da Ribeira

Proposta para o Bairro Alto

Proposta para a área do Arrabalde